O QUE É HANSENIASE?
Considerada uma doença quase extinta em grande parte do mundo, o número de casos de pacientes diagnosticados com hanseníase tem crescido em algumas regiões do Brasil
Atualmente, a hanseníase é uma doença considerada rara em quase todo o mundo, mas, infelizmente, no Brasil ainda é muito comum, por conta disso o país está em segundo lugar no ranking mundial da doença.
No último ano, em 2018, o país registrou 28.657 casos de pessoas diagnosticadas com a doença, segundo o próprio Ministério da Saúde.
Apesar de não ser um número absurdamente alto, quando comparado com o Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença que registra mais de 100 mil mortes por ano no país.
Os números de casos envolvendo a hanseníase revelam que a doença está aumentando novamente, pois em 2016, foram registrados 25.214 casos de pessoas diagnosticadas com hanseníase.
Ainda referente aos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, os estados de Mato Grosso e Rondônia, localizados na região Centro-Oeste do país, são os que mais tem apresentado novos casos da hanseníase, em contrapartida, a região Sul e Sudeste quase não tiveram registros da doença.
No Brasil, a hanseníase é considerada uma doença grave pelo Ministério da Saúde, por isso, uma das prioridades no país é diminuir ou até mesmo erradicar a doença.
Como meio de prevenção, são criadas campanhas de conscientização anualmente e o tratamento para hanseníase é disponibilizado para toda a população de maneira gratuita, através do Sistema Único de Saúde (SUS).
O QUE É HANSENÍASE?
Em muitas regiões do Brasil, a doença ainda é conhecida pelo nome de “lepra”, entretanto, a mudança de nome para hanseníase foi uma estratégia do governo brasileiro em 1976 para reduzir o preconceito já criado sobre a doença, para que dessa forma o tratamento de pacientes com hanseníase fosse mais aceito pela população.
Não há uma data exata para o surgimento da hanseníase no mundo, mas estudiosos afirmam que a doença já era conhecida antes mesmo de Cristo, ou seja, já haviam casos de pessoas com hanseníase desde o século VI a.C.
Acreditava-se que a doença estava ligada a religiões e era vista como uma forma de “castigo divino”, por conta disso as pessoas que sofriam com a hanseníase eram afastadas do convívio em sociedade e não recebiam qualquer tipo de tratamento.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae ou Bacilo de Hansen, por conta do cientista Gerhard Armauer Hansen que foi o responsável pela descoberta da bactéria em 1873.
Quando uma pessoa suscetível a contrair a doença permanece em contato direto com a pessoa infectada sem tratamento a transmissão da bactéria causadora da hanseníase ocorre através das vias respiratórias, ou seja, pelo ar, por meio da tosse ou espirros da pessoa infectada.
No entanto, hoje em dia, a maior parte das pessoas já possui uma resistência natural no organismo contra essa bactéria, por isso, a diminuição da doença vem ocorrendo em todo o mundo.
O contágio da doença também possui influência genética, isto é, pessoas que tenham familiares com hanseníase tem mais chances de desenvolver a doença.
SINTOMAS E TRATAMENTOS: HANSENÍASE TEM CURA?
A doença atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, com isso o principal sintoma da hanseníase é o surgimento de manchas avermelhadas ou esbranquiçadas pelo corpo.
Todavia, a quantidade de manchas pelo corpo depende muito do estágio em que a doença está, por exemplo, pessoas com diagnóstico precoce tendem a apresentar uma quantidade menor de lesões na pele.
A hanseníase acomete pessoas de qualquer idade, inclusive as crianças e os idosos, por ser uma doença contagiosa é de extrema importância que a pessoa infectada tenha cuidado redobrado.
Quando infectado pela bactéria, Mycobacterium leprae, o organismo humano tenta combatê-la e normalmente impede o desenvolvimento da hanseníase, contudo, a bactéria permanece no organismo por um período entre dois e sete anos.
As regiões lesionadas não demonstram sensibilidade, seja a dor ou outros sentidos, como a percepção do calor ou do frio, também é muito comum que a pessoa com hanseníase sinta formigamentos nas regiões dos braços e pernas, quando não tratada logo no início, a hanseníase por afetar outras regiões como os olhos, testículos, ossos e fígado.
Com a evolução da doença, as manchas dão lugar a caroços, os nervos também podem ser comprometidos de maneira permanente, podendo levar a incapacidade física, por isso, é tão importante um diagnóstico e tratamento precoce para a hanseníase. Confira abaixo outros sintomas muito comuns da doença:
- Choques e Câimbras, normalmente na região das pernas;
- Queda de pelos em regiões afetadas pelas manchas ou caroços;
- Ausência de suor nas regiões comprometidas;
- Paralisia dos braços ou pernas (em casos mais avançados);
- Perda da força muscular em regiões onde os nervos foram comprometidos.
Como já mencionado anteriormente, o tratamento para hanseníase é oferecido de maneira gratuita no SUS e chamasse Poliquimioterapia (PQT),
Após o diagnóstico da doença o médico irá solicitar ao paciente que ele compareça mensalmente à unidade de saúde para tomar a medicação, com a supervisão do profissional de saúde, mas, o paciente também receberá uma certa quantidade de remédio para tomar em casa.
A Poliquimioterapia consiste na combinação de medicamentos como Rifampicina, Dapsona e Clofazimina, que são entregues ao paciente em formato de comprimidos, o tempo total do tratamento é de 12 meses. Mas afinal, a hanseníase tem cura? Tem sim, ao final do tratamento o paciente estará curado.
CONHEÇA O MOVIMENTO JANEIRO ROXO
Desde 2016, a campanha de conscientização nomeada como Janeiro Roxo foi oficializada pelo Ministério da Saúde que, por sua vez, recebeu o laço de cor roxa como principal característica da campanha.
O movimento tem como principal objetivo informar e conscientizar a população sobre a hanseníase, bem como os sintomas e tratamentos da doença.
Como o próprio nome já sugere, a campanha sempre ocorre em janeiro, mês esse que também é comemorado o Dia Mundial Contra a Hanseníase, celebrado sempre no último domingo do mês, e o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase (28).
HANSENÍASE RESISTENTE AO TRATAMENTO
Recentemente, uma notícia muito preocupante sobre a hanseníase no Brasil foi divulgada nos principais veículos de comunicação, como a BBC e o Portal do G1.
Pesquisadores do estado do Pará, descobriram algumas bactérias causadoras da doença que não estavam respondendo ao tratamento padrão, que é a Poliquimioterapia (PQT).
Os estudos sobre a resistência da bactéria durou cerca de 12 anos em uma região do interior do Pará, chamada de Vila Santo Antônio do Prata, popularmente conhecida como Vila do Prata.
A região foi escolhida justamente por ter sido um local com alta incidência de hanseníase no passado, atualmente fazem parte da população local apenas 3 mil pessoas.
Durante a pesquisa foi constatado que 43,2% dos casos analisados apresentaram resistência ao tratamento convencional, outros 32,4% demonstraram resistência dupla à medicação.
Dados como esses revelam que a hanseníase ainda está presente no país e as ações de conscientização são mais importantes do que nunca.
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